Ouvia-se dizer que nem com flor bate em mulher
Não o que se vê, não é bem o que é
Enquanto cresce o percentual de agredidas
Morre o valor pela geração de vidas
Prostituição infanto-juvenil
Produto da agressão doméstica no Brasil
Atualmente cerca de quinhentas mil
São violentadas, estupradas, como sempre ninguém viu
Ocorre geralmente dentro de seus lares
Sendo pais e parentes irresponsáveis
Que sem punição então livremente permanecem
Com o passar do tempo todos se esquecem
Exceto vitimas, que levam suas vidas
Na alma a cicatriz da infância interrompida
Sensação de abandono e impotência
A indolência é de extrema persistência
Passam-se os anos, Mudam-se os rumos
Porém o terror retorna em alguns segundos
Hoje não mais meninas, são mulheres casadas
E por maridos covardes, espancadas
Pânico que paralisa, impotência que aterroriza
Na ameaça constante de ataque
Guiadas pelo medo simplesmente não reagem
Não se tem valor sem amor próprio
Não há planos pro futuro se o presente é de ódio
A agressão mata em longo prazo
Sem desejo de viver a espera é pelo acaso
E da justiça só descaso
A cada quatro minutos os surtos se iniciam
Muitas só reclamam enquanto poucas denunciam
Rendidas por covardes, em seus lares espancadas
Acreditam que é só fase e acabam sendo assassinadas
Por amor, vitimas de um coma profundo
Quem vê de for diz que gosta ou é mulher de vagabundo
Agressão à mulher não rima, clima pesado demais
Filhos desconfiados, esposas desleais
Medo na relação gera um conflito interno
Dividir o mesmo teto acaba se tornando o inferno
Dias bons se foram, a tendência é piorar
Apanhar, gritar, chorar, ir embora e voltar
Acabar com essa rotina é a nossa intenção
Elas também precisas de carinho e atenção
Enquanto cresce o percentual de agredidas
Morre o valor pela geração de vidas